Moda sustentável,  Slow fashion

Os 7 Rs da slow fashion: como contribuir para uma moda mais consciente

 

Não podemos falar de slow fashion e não falar dos 7 Rs da slow fashion. Sim, porque é possível contribuir para uma moda mais consciente sem ir às compras!

Actualmente, privilegio mais a ligação que tenho com as peças que compro e evito ao máximo fazer compras por impulso. Tento não comprar sem reflectir primeiro na minha compra. Às vezes basta dar um passo atrás, olhar para a etiqueta, estar atenta aos materiais, ao local de fabrico.

Conseguir ter esta perspectiva mais abrangente ajuda-te a ver o quadro geral. Não é surpresa para ninguém que a indústria da moda, tal como está, não é viável. O nosso planeta não suporta este ritmo de produção frenético para que as grandes lojas lancem uma nova colecção por semana e para que continuemos a comprar peças super baratas, de qualidade questionável que, naturalmente, não vão durar e vão acabar nos aterros em muito pouco tempo.

Por isso mesmo, estar atenta a tudo isto que se está a passar é importante, mas é agindo que vamos conseguir criar um futuro mais sustentável.

Vamos, portanto, falar de soluções!

Apresento-te então os 7 Rs da slow fashion (tenho a certeza de que conheces os 3 primeiros!):

Reduce (Reduzir)

Este é fácil e já aqui falei disto. O mais importante é reduzir o consumo de roupa. No livro Overdress, a autora Elizabeth Cline diz-nos que compramos em média 64 peças de roupa por ano, o que se traduz em pouco mais de uma peça por semana! Da próxima vez que fores às compras, questiona-te se precisas mesmo dessa peça. O mantra do slow fashion é comprar menos e melhor. Tenta ter em consideração o valor da peça em oposição ao custo.

 

Lê também o artigo “O movimento slow fashion”

 

Dica: utiliza a regra do custo por utilização. Divide o valor da peça pelo número de vezes que a vais utilizar e obténs o valor real da peça. Exemplo prático: imagina que compras uma t’shirt de algodão por 5 euros e ao fim de 5 utilizações a peça já mostra sinais de desgaste e já não está em condições de ser utilizada. Se dividires os 5 euros (custo) pelo número de utilizações (x5), tens um custo por utilização de 1 euro. Agora, se comprares uma t’shirt de algodão de qualidade superior por 25 euros e utilizares a peça pelo menos 30 vezes (este é o número mínimo que deves ter em consideração quando compras uma nova peça), o custo por utilização é de 0,83 euros (25/30=0,83).

Reuse (Reutilizar)

Usa e abusa das tuas peças com orgulho! Usa a tua criatividade para usares as tuas peças no mínimo 30 vezes. Podes também recorrer a lojas de 2.ª mão e a lojas vintage ou trocar peças de roupa com as tuas amigas e familiares (confesso que ainda no outro dia “assaltei” o guarda-roupa da minha mãe e do meu irmão e trouxe comigo um bomber que ele já não usa!).

Recycle (Reciclar)

Confesso que sou ainda um pouco cética no que diz respeito à reciclagem de roupa em Portugal. Cada vez mais se vêem campanhas de marcas, como a H&M por exemplo, a oferecer vales de desconto em troca de sacos de roupa para reciclagem, mas a verdade é que há muito pouca transparência no que diz respeito ao destino dessa roupa.

De qualquer das formas, temos também a possibilidade de deixar as nossas roupas em contentores de várias entidades espalhados pelo país, como a Lipor ou a Humana, sempre conscientes, porém, de que algumas peças serão reutilizadas, outras recicladas e transformadas em novos materiais, outras utilizadas para energia, outras vendidas para o estrangeiro, como África e outras têm como destino o aterro.

Dica: a Quercus lançou há pouco tempo a aplicação Wasteapp que podes utilizar para saber qual o ponto de entrega mais próximo de ti.

Research (Pesquisar)

Este R é, para mim, um dos mais importantes dos 7 Rs da slow fashion. Acredito verdadeiramente que, enquanto consumidoras conscientes, podemos fazer a diferença. Para isso, temos de nos manter informadas. Da próxima vez que quiseres comprar uma peça, e para não fazeres uma compra por impulso, dedica um pouco de tempo a procurar informações sobre a empresa em questão. Utiliza o google e as redes sociais para te conectares com as marcas, ter conhecimento de mercados de criadores, mercados de trocas/venda em 2.ª mão. Aprender a ler as etiquetas das peças de roupa também é uma forma de conseguires cuidar melhor da tua roupa. Procura informações sobre os materiais que deves comprar e os materiais que deves evitar (o ideal é optar por fibras naturais e/ou orgânicas e evitar o poliéster e afins, que são plástico).

Dica: podes utilizar a aplicação Good on You para pesquisar algumas marcas mais conhecidas. Não tem muitas marcas europeias, é certo, mas já me foi útil para ver que marca desportiva revela mais preocupação com a sustentabilidade (de entre as marcas mais conhecidas). Sei que a associação Alinhavo também está a reunir info para criar uma aplicação deste género com marcas presentes no nosso país, quando tiver mais info sobre isto comunico.

Repurpose (Transformar)

Está na altura de seres criativa com a tua roupa “velha”! Se tens jeito para a costura e és criativa, então este R é a tua praia. Transforma aquelas calças que já não usas nuns calções para usares de verão ou transforma aquele vestido com uma nódoa na parte de baixo num bonito top! Podes também apostar em marcas de upcycling como a Vintage for a Cause ou os R-Coats feito pela Hero to 0 a partir de guarda-chuvas estragados. Cool, right?

Nota: Upcycling significa reutilizar objectos ou materiais que de outra forma iriam para o lixo de modo a criar um produto de maior qualidade e com utilidade. Tem como objectivo evitar o desperdício de materiais que ainda têm utilidade, sem ser necessário criar novas matérias primas, diminuindo o consumo de recursos e energia, a poluição do ar e da água e as emissões de gases de efeito estufa.

Repair (Reparar)

Tenho a certeza de que este R era muito utilizado pela geração dos teus pais e dos teus avós. Antigamente a nossa roupa não era vista como sendo descartável. Por isso, quando apareciam rasgões, fechos estragados, solas de sapato estragadas e tudo mais, recorríamos a sapateiros e costureiras da nossa terra para arranjar as peças. Faz todo o sentido arranjar em vez de ir comprar novo e deitar a peça antiga para o lixo, certo?

Rent (Alugar)

Por que não alugar em vez de comprar? Se tens uma cerimónia e não tens nada adequado para vestir, por que não escolher um vestido na Chic by Choice em vez de comprar um vestido que provavelmente só vais vestir uma vez?

Este R não é muito diferente de reutilizar, mas é importante chamar-te à atenção para um modelo de negócio emergente designado por economia de partilha. Temos tantas peças nos nossos armários, por que não partilhar as peças que não costumamos usar com pessoas que lhes podem dar uso? Penso que em Portugal isto ainda não se aplica verdadeiramente à roupa, mas a verdade é que já há plataformas a permitir o aluguer de equipamentos, livros, entre outras coisas, como a Rnters. Quem sabe alguém não se lembra de criar uma plataforma como o airbnb para o aluguer dos nossos armários!

 

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